{"id":1386,"date":"2024-01-23T17:06:53","date_gmt":"2024-01-23T17:06:53","guid":{"rendered":"https:\/\/imulticonstrutiva.com.br\/itie\/?p=1386"},"modified":"2024-01-23T17:08:31","modified_gmt":"2024-01-23T17:08:31","slug":"construcao-em-aco-o-que-ainda-falta-evoluir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imulticonstrutiva.com.br\/itie\/construcao-em-aco-o-que-ainda-falta-evoluir\/","title":{"rendered":"CONSTRU\u00c7\u00c3O EM A\u00c7O: O QUE AINDA FALTA EVOLUIR"},"content":{"rendered":"<p>Reservando excelentes oportunidades e perspectivas para o setor sider\u00fargico, a nova fase da constru\u00e7\u00e3o industrializada no Brasil ganha for\u00e7a e musculatura.<\/p>\n<p>Marcus Frediani<\/p>\n<p>Voc\u00ea foi um daqueles que, no come\u00e7o da pandemia da CO- VID-19, se surpreendeu com a rapidez e precis\u00e3o das obras de constru\u00e7\u00e3o dos hospitais na China para atender aos pacientes do novo coronav\u00edrus? Ou que ainda fica boquiaberto com a velocidade com que eles levantam um pr\u00e9dio de 20 andares em apenas um m\u00eas? Pois \u00e9, esses s\u00e3o apenas alguns dos \u201cmilagres\u201d poss\u00edveis com a constru\u00e7\u00e3o industrializada. Sonho ainda distante no Brasil? Com certeza n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>Embora poucos soubessem, um novo cap\u00edtulo da hist\u00f3ria na constru\u00e7\u00e3o civil vem sendo escrito por alguns vision\u00e1rios, e agora a possibilidade de acelerarmos nosso processo de inclus\u00e3o em tais metodologias \u00e9 bem grande. Essa \u00e9 uma das muitas boas not\u00edcias que o Engenheiro civil e diretor geral do Instituto de Tecnologias de Industrializa\u00e7\u00e3o das Edifica\u00e7\u00f5es (ITIE), Antonio Gilberto de Freitas Filho, revela nesta entrevista exclusiva \u00e0 revista Siderurgia Brasil. Confira e, pedindo perd\u00e3o pelo trocadilho, comece a \u201cconstruir\u201d novas e produtivas ideias a partir da leitura!<\/p>\n<p>Embora poucos soubessem, um novo cap\u00edtulo da hist\u00f3ria na constru\u00e7\u00e3o civil vem sendo escrito por alguns vision\u00e1rios e agora a possibilidade de acelerarmos nosso processo de inclus\u00e3o em tais metodologias \u00e9 bem grande.<\/p>\n<p><strong>Antonio Gilberto de Freitas Filho, engenheiro civil e diretor geral do Instituto de Tecnologias de Industrializa\u00e7\u00e3o das Edifica\u00e7\u00f5es (ITIE)<\/strong><\/p>\n<p><strong>Siderurgia Brasil: Gilberto, como voc\u00ea avalia a evolu\u00e7\u00e3o do conceito de constru\u00e7\u00e3o industrializada no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Antonio Gilberto Freitas Filho:<\/strong> A industrializa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de edifica\u00e7\u00f5es tinha um contexto prop\u00edcio entre as d\u00e9cadas de 1960 a 1980 no Brasil, por\u00e9m o interesse foi perdendo for\u00e7a. Com raras exce\u00e7\u00f5es, transformou-se em um nicho espec\u00edfico de algumas empresas especializadas em estruturas. Inicialmente as empresas, as institui\u00e7\u00f5es e a academia de um modo geral apostaram numa via de progresso da constru\u00e7\u00e3o civil no setor de edifica\u00e7\u00f5es baseada na \u201cracionaliza\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o civil\u201d, visando otimizar tarefas de execu\u00e7\u00e3o nos canteiros de obras e que seria a chave do sucesso nos empreendimentos. Na pr\u00e1tica essa estrat\u00e9gia foi um desastre em termos de avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e na cultura do setor.<\/p>\n<p><strong>Por qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p>Porque o grande \u201cX\u201d da quest\u00e3o continuava sendo controlar bem os processos de execu\u00e7\u00e3o nos canteiros de obra, atrav\u00e9s de an\u00e1lises pr\u00e9vias dos fatores que impedem o desenvolvimento, bem como o conjunto de a\u00e7\u00f5es a serem tomadas visando \u00e0 otimiza\u00e7\u00e3o dos recursos humanos, materiais, tempo e recursos financeiros, buscando formas mais eficientes de melhorar os fluxos, a fim de reduzir prazos, o desperd\u00edcio e o retrabalho. As m\u00e9dias e grandes construtoras buscaram nesse conceito mitigar tais problemas, ou ampliar o controle desses fatores nos canteiros de obras. Por\u00e9m, fizeram isso sem o devido investimento em novas tecnologias e equipamentos que \u201ctransformassem as tarefas dos canteiros de obras em demanda para a ind\u00fastria moderna\u201d. Como resultado, a nossa produtividade estagnou e a sedu\u00e7\u00e3o pela \u201cm\u00e3o-de-obra barata\u201d se mostrou insustent\u00e1vel. Podemos dizer que a \u201cpol\u00edtica da racionaliza\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o civil\u201d provocou a estagna\u00e7\u00e3o industrial desse segmento, tendo se tornado um problema nacional. E, enquanto isso, os pa\u00edses mais industrializados do mundo foram se preocupando com a quest\u00e3o de ter uma matriz mais diversificada de produtos e solu\u00e7\u00f5es construtivas.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o, essa \u00e9 a raz\u00e3o principal de o Brasil estar t\u00e3o atrasado e apresentar um desempenho inferior na \u00e1rea?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 bem assim. N\u00e3o somos t\u00e3o piores do que os outros, a produtividade na constru\u00e7\u00e3o civil \u00e9 um desafio mundial. A falta de investimentos em industrializar todos os processos de produ\u00e7\u00e3o das edifica\u00e7\u00f5es, somada a uma matriz de sistemas construtivos n\u00e3o diversificada, reduziu nossa capa- cidade de superar os desafios do s\u00e9culo 20. \u00c9 bem verdade que o setor do a\u00e7o, a seu modo, fez seus esfor\u00e7os. A CSN, por exemplo, chegou a criar uma empresa de projetos e fabrica\u00e7\u00e3o de estruturas met\u00e1licas para estimular o setor imobili\u00e1rio, oferecendo ao mercado a possibilidade de se construir edif\u00edcios a partir delas como alternativa ao tradicional concreto armado.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, criou entidades de fomento e difus\u00e3o de conhecimento. Outras usinas tamb\u00e9m passaram a oferecer produtos para a constru\u00e7\u00e3o em a\u00e7o. Entretanto, a falta de integra\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es na cadeia produtiva nos levou a assistir, durante o per\u00edodo entre os anos 1980 e 2000, a uma maior progress\u00e3o tecnol\u00f3gica no uso das estruturas de alvenaria e de concreto armado. Ent\u00e3o, ficamos praticamente numa disputa de mercado entre substituir ou flexibilizar o que j\u00e1 acontecia de maneira tradicional.<\/p>\n<p><strong>Mas, hoje, parece que isso mudou. A gente ouve muitos especialistas por a\u00ed falando na transforma\u00e7\u00e3o dos canteiros de obra em canteiros de montagem. Isso realmente acontece?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. Na verdade, isso n\u00e3o \u00e9 uma realidade, mas sim uma tend\u00eancia. S\u00e3o poucas empresas que investiram em tecnologias para realizar essa transi\u00e7\u00e3o e est\u00e3o aptas a faz\u00ea-la. Para a grande maioria delas o interesse est\u00e1 em validar as vantagens de utiliza\u00e7\u00e3o de outros processos de constru\u00e7\u00e3o. E, por conta disso, passaram a dar maior aten\u00e7\u00e3o ao tema da industrializa\u00e7\u00e3o agora em 2020. A grande massa est\u00e1 em busca de in- forma\u00e7\u00e3o e, neste momento, \u00e9 importante a presen\u00e7a de uma institui\u00e7\u00e3o como o ITIE, que, h\u00e1 quase uma d\u00e9cada, difunde o conceito para acelerar o processo.<\/p>\n<p><strong>E qual foi o fator desencadeador dessa nova leitura?<\/strong><\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, foram os hospitais definitivos e os de campanha que foram entregues em tempo recorde, por meio de processos off-site, ou seja, fora do canteiro de obras. A grande maioria das empresas, profissio- nais e institui\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 constru\u00e7\u00e3o civil estavam preocupadas com outros temas e raras eram as empresas que desenvolviam estrat\u00e9gias com tecnologias que permitis- sem superar os gargalos. Procuramos pres- tigi\u00e1-las este ano, com a realiza\u00e7\u00e3o do \u201cFO- COS \u2013 F\u00f3rum da Constru\u00e7\u00e3o Off-site\u201d, que foi o primeiro evento nacional que reuniu os principais players do segmento, por meio de uma parceria entre o ITIE e a MB \u2013 Produ\u00e7\u00f5es. Lan\u00e7amos a \u201cExpo Constru\u00e7\u00e3o Off-site\u201d, que ser\u00e1 realizada em junho de 2021.<\/p>\n<p><strong>Corremos o risco da constru\u00e7\u00e3o industrializada cair novamente no ostracismo, como aconteceu no passado?<\/strong><\/p>\n<p>Creio que, a partir de agora vamos observar um crescimento acelerado da constru\u00e7\u00e3o off-site, embora com um peso econ\u00f4mico n\u00e3o t\u00e3o acentuado. Antes os players do setor ainda viam distante as possibilidades de neg\u00f3cios e agora, entramos em um processo no qual o clima est\u00e1 mudando. \u00c9 claro, vamos ter a segmenta\u00e7\u00e3o entre os altamente tecnol\u00f3gicos, aqueles que s\u00e3o medianos \u2013 que representam uma parte importante, principalmente fornecendo componentes para empresas maiores \u2013, e a grande massa, que vai continuar \u201cempilhando tijolos\u201d, mas com um olho em algum componente ou sistema industrializado. A constru\u00e7\u00e3o industrializada de- manda investimentos e tradicionalmente as empreiteiras, pequenas construtoras e os profissionais liberais, que se prop\u00f5e a serem construtores, n\u00e3o tem a cultura de investir. Eles simplesmente localizam o cliente, e o \u00fanico investimento \u00e9 na proposta, e em \u201cpegar a obra\u201d e execut\u00e1-la. Mas os empreendedores que compreenderem o novo comportamento empresarial e com vis\u00e3o de demanda de mercado, fa\u00e7am investimentos tecnol\u00f3gicos e desenvolvam fornecedores buscando sucesso.<\/p>\n<p>Em outras palavras, \u00e9 quase uma quest\u00e3o cultural, respons\u00e1vel por nosso atraso. Na constru\u00e7\u00e3o civil nos habituamos aos atrasos, retrabalhos, desperd\u00edcio e a baixa presen\u00e7a de tecnologia. N\u00e3o podemos dizer que a constru\u00e7\u00e3o civil simplesmente \u00e9 atrasada e, sim, que adquiriu um h\u00e1bito que a prejudica, principalmente os profissionais das pequenas empresas. Esse \u00e9 o grande desafio atual: mudar um h\u00e1bito que nos permita desenvolver uma nova cultura para o setor. E ser\u00e1 que esse per\u00edodo de COVID-19, com tudo parado, est\u00e1 ajudando nessa mudan\u00e7a de h\u00e1bitos?<\/p>\n<p>Durante a pandemia, com muita gente em home-office, as pessoas tiveram mais tempo de ver lives e webinars, e o pr\u00f3prio contexto do \u201cNovo Normal\u201d as deixou mais receptivas a come\u00e7ar a pensar de maneira diferente. S\u00f3 que a quest\u00e3o cultural, voc\u00ea s\u00f3 muda com bons exemplos. Por isso a construtech catarinense \u201cBrasil ao Cubo\u201d foi t\u00e3o feliz, durante a COVID, na entrega de diversos hospitais, em tempo recorde, em todo o pa\u00eds, aplicando processos de constru\u00e7\u00e3o modular, que utiliza as ferra- mentas da arquitetura, engenharia civil e de produ\u00e7\u00e3o. Quando as pessoas viram os hospitais prontos, come\u00e7aram a mudar seu pensamento e, por extens\u00e3o, a desenvolver uma nova cultura.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea ou o Instituto de Tecnologias de Industrializa\u00e7\u00e3o das Edifica\u00e7\u00f5es (ITIE) tiveram alguma participa\u00e7\u00e3o nesses projetos?<\/strong><\/p>\n<p>Sim e de forma direta com nosso programa educacional Intelig\u00eancia Multiconstrutiva que possui cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e certifica\u00e7\u00f5es profissionais em \u00e1reas dedicadas a industrializa\u00e7\u00e3o, cursos estes propostos e difundidos muito antes da pandemia e introduzindo durante a pandemia o conceito de off-site construction no Brasil.<\/p>\n<p><strong>E como voc\u00ea v\u00ea as perspectivas de a ind\u00fastria do a\u00e7o ganhar pontos com essa mudan\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p>Vou responder o que eu julgo ser o lado bom e o lado do desafio. O lado bom \u00e9 que, dos setores da constru\u00e7\u00e3o civil, sem d\u00favida o a\u00e7o \u00e9 o que mais vem lutando pela industrializa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 d\u00e9cadas, para ganhar mercado, e superar a vis\u00e3o tradicional de usar predominantemente estruturas de concreto armado nas edifica\u00e7\u00f5es. Ali\u00e1s, j\u00e1 observamos isso com o avan\u00e7o do sistema construtivo light steel framing. Mas \u00e9 a\u00ed que entra o lado do atual desafio.<\/p>\n<p><strong>E qual \u00e9 esse desafio?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 aquele que demonstra a necessidade fundamental dos operadores da ind\u00fastria sider\u00fargica entenderem que precisam fortalecer e integrar as cadeias de supri- mentos. N\u00e3o adianta s\u00f3 focar nos produtos, sejam vergalh\u00f5es, barras, chapas, lingotes, tubos e vigas de a\u00e7o, e virar as costas como se o restante dos processos n\u00e3o fosse problema da siderurgia. A constru\u00e7\u00e3o industrializada precisa, de verdade que o setor sider\u00fargico seja mais parceiro e colaborativo. Por isso \u00e9 que defendo tanto o conceito de Intelig\u00eancia Multiconstrutiva, do qual sou o idealizador e difusor no ITIE, porque por mais que um setor seja importante e relevante, sem os demais voc\u00ea n\u00e3o tem o \u201ctodo\u201d, ou seja, o melhor resultado final. Temos que ter um olhar mais m\u00faltiplo no que tange os processos e materiais, e entender que \u00e9 inteligente saber trabalhar de forma colaborativa e integrada.<\/p>\n<p><strong>E como o ITIE pode ajudar, digamos, nessa transi\u00e7\u00e3o produtiva?<\/strong><\/p>\n<p>De muitas maneiras. No Instituto, estamos de portas abertas para desenvolvermos, em parceria com os operadores da siderurgia \u2013 bem como com todos os outros players que t\u00eam algum n\u00edvel de envolvimento com a constru\u00e7\u00e3o industrializada \u2013, produtos e solu\u00e7\u00f5es em nosso OFF-SITE LAB. Em outras palavras, a proposta do nosso time de profissionais e apoiadores n\u00e3o \u00e9 exclusiva para os setores do a\u00e7o, do alum\u00ednio, da madeira, do cimento ou do PVC, porque h\u00e1 quest\u00f5es e problemas s\u00e9- rios que precisamos resolver em conjunto. Com os nossos cursos, estamos levando a constru\u00e7\u00e3o industrializada para todo Brasil, criando a maior rede colaborativa desse hub. Com o fortalecimento do trabalho colaborativo \u00e9 a hora certa para a gente fazer isso. Evoluir \u00e9 inevit\u00e1vel e necess\u00e1rio. Ent\u00e3o, venham conosco!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reservando excelentes oportunidades e perspectivas para o setor sider\u00fargico, a nova fase da constru\u00e7\u00e3o industrializada no Brasil ganha for\u00e7a e musculatura. 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